Eco: adj. abreviado de ecológico, aponta para uma visão do mundo que fortalece a renovação de modos de vida que apoiam um futuro criativo e de afirmação da vida. Aponta para uma mudança na consciência e nas estruturas socioeconómicas necessárias para enfrentar as crises do nosso tempo. Celebra a interligação fundamental de todos os fenómenos e o facto de, como indivíduos e sociedades, estarmos inseridos nos processos cíclicos da natureza. Afirma o valor intrínseco de todos os seres vivos, incluindo os humanos, como um fio único na teia da vida. A compreensão de que a forma como tratamos o ambiente, a forma como tratamos as outras espécies e a forma como tratamos uns aos outros estão todas interligadas; o paradigma “eco” leva-nos a fazer a mudança de formas de vida baseadas na hierarquia, dominação e controlo para formas de vida baseadas na cooperação com os outros (humanos e mais que humanos) e com a terra viva.
Dharma: subst. um termo sânscrito originalmente usado para ser referir aos ensinamentos de Buda e às práticas que, com base na ética e na meditação, apoiam o desenvolvimento de níveis cada vez maiores de sabedoria e compaixão visando a libertação do sofrimento. Refere-se mais amplamente ao caminho de reconhecimento da natureza “das coisas”, de reconhecimento da natureza dos fenómenos, incluindo o ser humano. Esse reconhecimento é o da profunda interligação de todas as coisas e a natureza radicalmente não-dual da realidade, indica uma realidade última além das definições e ainda assim intuída na sua natureza na interação fecunda e criativa do devir.
Eco-dharma: subst. o encontro das metodologias e perceções das artes contemplativas com um paradigma ecológico emergente que fomente o florescimento de indivíduos, sociedades e culturas que afirmem a vida (e a morte). O reconhecimento da misteriosa interação dos elementos, experimentando-nos como parte da dança complexa da auto-organização biológica e da consciência emergente. Uma exploração que afirma que a transformação do mundo e a transformação do eu não são separáveis e que a transformação da consciência é essencial para subverter as condições que dão origem a sistemas de opressão e dominação.
“Como a relação entre o eu e o mundo é recíproca, não se trata primeiro de despertar ou salvar-se e depois agir. À medida que trabalhamos para curar a Terra, a Terra cura-nos. Não há necessidade de esperar. À medida que nos importamos o suficiente para assumir riscos, afrouxamos o controle do ego e começamos a voltar para casa, para a nossa verdadeira natureza.” – Joanna Macy
Green Living Mindful Living
A essência de uma prática espiritual contemporânea é estar totalmente envolvido com esta vida; as florestas, os rios, as cidades poluídas, não querem saber da nossa iluminação mas sim de estarmos vivos para a experiência presente, da nossa ação no mundo e dos efeitos das nossas ações. (Michael Stone)
As Três dimensões da Ação
(Work That Reconnects)
A partir de uma perspetiva das gerações futuras, que imaginamos, podemos ver como a Grande Viragem está a ganhar força nos dias atuais, através das escolhas de incontáveis indivíduos e grupos. Podemos ver que isso está a acontecer simultaneamente em três áreas ou dimensões que se reforçam mutuamente. Elas são:
AÇÕES DE CONTENÇÃO
SISTEMAS E PRÁTICAS QUE SUSTENTAM A VIDA
MUDANÇA DE CONSCIÊNCIA
Proteger o que resta
Combate ao Desmoronamento
Defesa da Integridade
Aumentar a consciência dos danos (denúncia) – reunir e documenta evidências para explicitar conexões danosas
Reinvenção dos modos de morrer e viver nesta Terra
Desenvolver e apoiar estruturas sociais e económicas para vivermos em harmonia com o planeta de maneira abundante
Insight sobre inseparatividade Eu-Mundo
Desenvolvimento pessoal e espiritual aumentam a nossa capacidade e desejo de agir pelo mundo
cada uma das três dimensões é necessária para a criação de uma sociedade que sustenta a vida
Fonte: Esperança Ativa, de Joanna Macy e Chris Johnstone