
Conversar sobre
A Casa Natural com Carlos Solano
“Casa Natural é o nome que uso para falar desse resgate do cuidado e dos saberes das avós, da vivência da casa como um sentido de conexão que acolhe a natureza externa no ritmo diário” (Carlos Solano)
sobre o arqueteto Carlos Solano
Ama e pesquisa a cultura popular das nossas avós: as receitas de cuidados com a casa, o significado de ervas e flores, a arte do benzer e bendizer. Tem vários livros publicados, entre eles, A Casa Natural.
https://www.facebook.com/carlos.solano.73594
https://www.instagram.com/carlos.solano.arquiteto/
Canto de Proteção
Venho para abrir as portas, felicidade me traz.
O que há de tristeza nesta casa vai embora e não volte jamais.
Venho para abrir as portas, a saúde é quem me traz
O que há de doença nesta casa vai embora e não volte jamais.
Venho para abrir as portas o amor é quem me traz.
O que há de ódio nesta casa, meia volta e nem olhe pra trás.
Venho para abrir as portas, mãe natureza me traz.
Abençoa os filhos teus abençoai meu Deus terra, fogo, água e ar.
Clarianas
Benzer e Bendizer
“Cura-te a ti próprio com a luz do Sol e os raios da Lua.
Com o som do rio e da cachoeira. Com o balanço do mar e o agito dos pássaros.
Cura-te a ti próprio com hortelã, com neem e eucalipto.
Adoça-te a ti próprio com lavanda, rosmaninho e camomila.
Abraça-te a ti próprio com a fava do cacau e um toque de canela.
Coloque amor no chá invés de açúcar, e o tome olhando para as estrelas.
Cura-te a ti próprio com os beijos que o vento lhe trará e os abraços da chuva.
Torna-te forte com os pés descalços no chão e com tudo que nascerá com isto.
Torna-te mais sábio todo o dia pela escuta de tua intuição, olhando para o mundo com o olho ao centro dos teus olhos.
Pula, dança, canta, de modo que possas viver mais alegre.
Cura-te a ti próprio, com belo amor, e lembra-te sempre…
Tu és a medicina.”
Conselho de Maria Sabina, Curandeira Mexicana (mulher medicina) e poeta

Autobenzeção
“Espírito do Bem
Desça sobre mim vossas bênçãos.
Fazei com que meu coração serene,
Minha visão clareie,
Meu espírito desanuvie,
Minha alma se alegre.”
Dona Francisca
Benzer os quatro cantos do lugar
Minha vida abençoe
Minha vida ilumine
Somos Espaço e Brilho
Danusha Laméris – Pequenas Gentilezas
Estive pensando sobre como, quando você caminha
por um corredor lotado, as pessoas recolhem suas pernas
para deixa-lo passar. Ou como estranhos ainda dizem “saúde”
quando alguém espirra, um resquício
da peste bubônica. “Não morra”, estamos dizendo.
E das vezes que, ao derrubar limões
de sua sacola de compras, outra pessoa o ajuda
a recolhe-los. Sobretudo, não queremos magoar uns aos outros.
Queremos receber nossa xícara de café quente
e agradecer à pessoa que a entregou. Sorrir
para eles para que eles nos sorriam em retribuição. Para que a garçonete
nos chame de queridos quando servir a tigela com a sopa de mariscos,
e para que o motorista da picape vermelha dê-nos passagem.
Temos tão pouco uns dos outros agora. Estamos tão longe
da tribo e do fogo. Apenas esses breves momentos de partilha.
Talvez eles sejam a verdadeira morada do sagrado, estes
templos fugazes que construímos juntos quando dizemos “Aqui,
pegue o meu lugar”, “Por favor, você primeiro”, “Bonito chapéu”.
Trad.: Nelson Santander


